A matéria abaixo é da Fabiane Neiva, há um tempo atrás ela entrou em contato comigo para fazer uma entrevista para o trabalho de faculdade de jornalismo dela.
Achei que ficou muito bom, por isso que decidi dividir com vocês! :)
“O mercado brasileiro está começando a investir em produtos de origem 100% vegetal.
Danielle Agnes, estudante de Engenharia de Comunicação, comemorou seus dezoito anos com uma festa para amigos e familiares. No cardápio, quibe, esfiha, torradas com patês de tomate seco, palmito e cenoura, e é claro, bolo, beijinho e brigadeiro. Tudo sem qualquer produto de origem animal, encomendado em um restaurante vegetariano da cidade. “Foi meu melhor aniversário, não queria perder a oportunidade de fazer todos experimentarem a comida”.
A decisão de virar vegetariana foi há quatro anos, quando descobriu que uma amiga não comia carne. “Um dia, ela estava doente e não melhorava. Achei que a causa era justamente a falta de carne”. Era uma virose, mas a preocupação fez com que Danielle pesquisasse o assunto. Foi assim que descobriu o vegetarianismo. “Li muito e vi que tinha conceitos errados, me questionei e percebi que não iria me sentir bem se continuasse colaborando com o sofrimento de milhares de animais”.
As mudanças aconteceram progressivamente. “Minha família não entendia, minha mãe colocava carne em tudo, achando que a minha opção era passageira e que se ela complicasse, eu desistiria”. Como resultado de uma alimentação desequilibrada, acabou ficando anêmica. Depois de três meses de tratamento, aprendeu a se alimentar corretamente e hoje tem acompanhamento médico.
“O veganismo veio quando comecei a achar que o que eu fazia ainda não era suficiente, no ano passado”. Por vegano, entende-se a pessoa que segue uma filosofia em que não é permitido o consumo de nenhum derivado animal, como mel, ovos, leite ou qualquer tipo de carne, além do uso de couro ou roupas de lã ou mesmo produtos testados em animais. Dessa vez, melhor orientada, a transição foi mais tranqüila. Mas surgiram outros problemas. “A quantidade de alimentos cortados foi bem maior”.
Danielle tem pouca familiaridade com a cozinha e depende muito das guloseimas de supermercado, como batata frita e biscoitos. Recentemente, encomendou vários produtos veganos que não estão disponíveis em sua cidade, Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Entre eles, presunto, manteiga, chantilly e queijo. Apesar de esclarecer que os produtos são diferentes das versões normais, não se arrepende da compra: “mata a vontade e é diferente dos produtos que eu vinha comendo”. A estudante defende que os grandes supermercados deveriam comercializar mais produtos veganos. “Tem gente que deixa de comer derivados de animais por questões morais, outras por causa do meio ambiente ou saúde, mas o fato é que existem muitos vegetarianos, mesmo que a gente não tenha conhecimento disso”, completa.
Esse nicho cresce mais a cada ano. Os empresários já vêem nesse segmento uma boa opção de lucro, com produtos que seguem uma tendência mundial na busca por um estilo de vida mais saudável. Os produtos alimentícios de origem 100% vegetal também são adequados para quem quer emagrecer. Esses são livres de colesterol e lactose, o que torna uma boa opção também para os alérgicos. A dieta vegana é inclusive recomendada no livro irreverente e best seller “Skinny Bitch”, das autoras Rory Freedman e Kim Barnouin, que além da nova proposta de reeducação alimentar, traz várias informações sobre direitos animais.
Na Holanda, por exemplo, existe até um açougue vegetariano, o De Vegetarische Slager, que comercializa produtos substitutos para a carne. Aberto no dia 11 de outubro deste ano, o local é especializado em produtos com tremoço, uma semente rica em proteína.
Jaap Korteweg, da oitava geração de uma família de plantadores de tremoceiros e o empresário responsável pela façanha, teve a ajuda do chef de cozinha Marco Westmaas para desenvolver alimentos com a semente e também com a soja.
O objetivo da empreitada é atingir um público A, que pagara o mesmo preço da carne por seus produtos e incluir o tremoço na rotina alimentar dos consumidores.
No Brasil, uma das pioneiras nesse ramo é a BRF Foods, empresa responsável pela Perdigão e pela Batavo. A Perdigão é um das primeiras marcas no mercado que comercializa uma linha com congelados vegetarianos, que substituem a carne. Já a Batavo criou alimentos que visam substituir o consumo de leite. “Fomos um dos primeiros a apostar no potencial desse mercado, que atrai um número crescente de consumidores, preocupados em ter uma alimentação equilibrada e mais qualidade de vida”, falou Airton Petrini, diretor nacional de vendas da unidade de negócios Batavo. Ele rebate o argumento de que esses produtos não têm sabor. “Graças a investimentos em pesquisas e à substituição de ingredientes, os produtos Naturis são deliciosos e muito bem recebidos pelos consumidores”. Tanto os congelados, quando os substitutos do leite são produzidos a base de soja, uma leguminosa que é fonte de proteínas, fibras, minerais, ácidos graxos e cálcio.
Nathália Soares, 18 anos, é estudante de nutrição no Senac. Vegana, blogueira do Chubby Vegan, vende alguns produtos, como salgadinhos, bolos e doces feitos com apenas com ingredientes de origem vegetal. “As minhas vendas são feitas somente sob encomenda, ou seja, eu não tenho nada pronto em casa. Faço tudo após o cliente entrar em contato comigo”. As encomendas são feitas com alguns dias de antecedência e entregues pessoalmente. Por isso, ela conhece quase todos seus consumidores. Mas existem também aqueles que moram em outros estados. Nesse último caso, é tudo mandado por correio, sempre com contato pelo twitter, email ou o próprio blog.
Apesar de classificar os produtos veganos de supermercado como não-saudáveis, assim como qualquer outro industrializado, considera que são opções interessantes quando há necessidade de um preparo rápido e prático. “Tem dia, que não dá tempo mesmo de dedicar a cozinha.” Ela acredita que, no Brasil, esse tipo de produto é ainda bastante escasso. “Gostaria muito de, algum dia, achar lasanhas, pizzas congeladas veganas a venda no mercado”. Admite que, algumas pessoas ainda rejeitam esse tipo de comida, apesar de que esse público vem aumentando. “Muitas pessoas se preocupam bastante com a saúde, procurando alimentos com mais fibras, menos gordura, mas empresários brasileiros ainda ficam um pouco receosos de apostar nisso.”
Por essa falta de opções, avalia que é bem mais fácil manter esse tipo de dieta fora do país. “O mercado internacional tem tudo o que nós não temos. Desde queijos até coisas maravilhosas como: frappuccino vegano”, diz ela que esteve em Orlando este ano. Nos Estados Unidos, os produtos sem qualquer substância de origem animal são identificados por selos. “Era bom ir aos mercados gringos e ver selos de vegan, orgânico, “raw food” (comida crudívera) entre outros”, que defende que o sistema seja implantado também no Brasil.
No blog, há espaço para publieditoriais, (post para a divulgação de determinado produto), que mostra a opinião de Nathalia sobre os produtos que as empresas desejam anunciar. Diariamente, são postadas uma ou até duas receitas. “Faço tudo sem cara de comida vegana que eu costumo ver por ai, tem coisas que sinceramente, não comeria”, explica a adepta do ditado “comer com os olhos”. A proposta da página é muito mais que apenas dividir suas experiências na cozinha. Ela esclarece que seu objetivo é mostrar que se alimenta muito bem, mesmo com todas as restrições.”
O que acharam?
Na minha opinião, a pesquisa foi muito bem feita, citando várias curiosidades interessantes! :)